segunda-feira, 28 de maio de 2012

Agentes Públicos, Conversas Privativas e Outras Estórias


    Qualquer agente público deveria seguir a máxima da mulher de Cesar: “Não basta ser honesta, precisa parecer honesta”.

     Infelizmente, no Brasil, parece-se dar pouca importância a imagem.  Às vezes, parece que a máxima adotada por estas bandas seria: “Não importa o que você faça, desde que não seja condenado”.    Embora sutil, há grave diferença entre esta máxima e o princípio de que todos são inocentes até que se prove o contrário.   A sutileza da diferença reside na ética, na moral e na transparência.

       Dado que, não sou jurista, nem filósofo, apenas economista, minha abordagem pode ser confusa.   Mas, meu ponto é simples:  independentemente da honestidade presumida – e até que se prove o contrário, factual – não seria mais adequado que ocupantes de importantes cargos públicos não tivessem conversas privativas fora de seus escritórios, sem o devido registro de conteúdo?

         Por exemplo, hoje, na capa do jornal  Valor: “Na semana passada, analistas baseados em Nova York foram chamados para conversas privativas”.    Claro que a matéria pode conter alguma imprecisão, mas meu ponto é que: em nenhum caso se justificam “reuniões privativas” de agentes públicos.   O que é feito pelo agente público, é público, não privado!  Ou eu estou confuso?

       A questão é simples,  se o objetivo das reuniões é  tratar dos ótimos fundamentos brasileiros, por que não divulgá-los em eventos públicos, aberto a todos?   Além do mais, estas reuniões são pagas com meu dinheiro, recolhido rigorosamente aos cofres públicos, através de impostos.   Logo, se de certa forma eu financio, eu devo ter o mesmo direito de qualquer um de conhecer o conteúdo em detalhes das conversas...

     Quanto a matéria da Veja, neste final de semana, com coincidência ou não, houvesse tal encontro ocorrido nos gabinetes do STF,  com acompanhamento de vários servidores, não haveria motivos para celeuma.  Assim, fica o conselho:  REUNIÕES DE AGENTES PÚBLICOS SÓ EM PÚBLICO!

      A propósito, como eu disse acima, não sou nem jurista, nem filósofo.  Apenas, economista.  Mas, devo assumir, mesmo na condição de economista ando confuso: até alguns dias atrás a torcida do flamengo (pelo menos é o que disseram) comemorava a alta do dólar e a fuga dos especuladores. Agora, o BC atua para valorizar a moeda e faz reuniões para convencer os investidores que aqui é legal?  

Atualmente não está fácil torcer para o Flamengo.  Nem ser economista.

3 comentários:

  1. Brilhante! Vale lembrar que 'nestepaíz' todos - principalmente alguns - continuam a deter permissão para fazer 'pipi' na piscina. O problema é que, de um tempo para cá, tem gente fazendo 'pipi' do trampolim...

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  2. Sidão. Nessas horas tudo se mistura, a começar pela mentira, desfaçatez, hipocrisia parte do quado clínico dos ESQUERDOPATAS. A célebre orientação em " não sei de nada" habilmente criada por advogado, mostra o pais em que vivemos. E assim é o comportamento deles, a grande maioria, graças aos cargos e funções públicas tranformados em burgue$e$, não abandonaram o rancor original. Ou são as elites ou a imprensa que quer destruí-los!,e na santa ignorância- perdoe o perjúrio- não enxergam que são eles próprios que se esfaçelam.
    Mesmo assim eles não irão mudar, agem tão só por expedientes e ausência de dignidade ou carater, digamos.
    Melhor ser alquimista.
    Marito Cobucci

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  3. Conheço pessoas, com altos cargos executivos, que entendem que as 2 máximas são semelhantes, têm o mesmo significado.


    “Não basta ser honesta, precisa parecer honesta”

    "Não importa o que você faça, desde que não seja condenado”


    Talvez seja esse o problema!!!

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