quinta-feira, 17 de maio de 2012

Receita para Quebrar um País


Quebrando Um País: Receita Básica (versão simplificada)

(  ) Há uma bonança.  O Governo aumenta seus gastos, a medida que a economia cresce e a oferta de crédito é abundante.  O setor privado e bancário se alavancam.  Tudo está “como nunca antes”.
(  ) Algum evento, geralmente externo, reduz o crescimento da economia. O governo sai em socorro do setor privado, cujo endividamento se torna crítico face ao menor crescimento econômico. Aumenta gastos, dá subsídios.  Adota medidas protecionistas.  Tudo continua “como nunca antes”.
(  )A atividade econômica não reage.    O governo aumenta os gastos, dá subsídios.  Adota medidas protecionistas.
(  )A arrecadação para de crescer.  Os gastos não. O desemprego cresce.  A dívida cresce. O desemprego cresce. O consumo estagna.
(  )O governo adota medidas de incentivo ao emprego, isto é, aumenta os gastos, dá subsídios.  Adota medidas protecionistas. 
(  )A inadimplência cresce. Bancos começam a ter problemas. O governo socorre. Aumenta os gastos, dá subsídios.  Adota medidas protecionistas. 
(  )Enfim os gastos do governo atingem níveis muito elevados. A dívida começa a crescer explosivamente, o custo da dívida sobe.
(  )A dívida se torna impagável.

A receita acima exige anos de cocção.   Em geral, quando começam a acontecer o resultado final é pouco perceptível.   Tudo parece estar indo muito bem.  Ninguém reclama.  Quando se percebe é tarde demais.   
A adição dos ingredientes pode não ocorrer exatamente na ordem acima, já que “cada” cozinheiro dá o seu toque pessoal.  O resultado do banquete, é uma elite mais gorda e uma população mais magra.
Se por acaso, para algum hipotético país, você assinalou mais de 3 “ingredientes” acima.  Você pode imaginar qual será o cozido. E tenha certeza, a sua participação no banquete, se limitará a lavar os pratos depois!
--------------  x ---------------
COZIDO À GREGA
Este já está pronto.  Só falta servir.    O setor privado já se fartou.  As elites já levaram suas “quentinhas “  para os países vizinhos.   Talvez, a única vantagem é que ao invés de lavarem os pratos, eles serão somente quebrados e jogados no lixo.
Enfim, ontem eu li, em uma matéria da CNBC, o mais provável caminho do ocaso Grego.  Pelo menos o que me pareceu mais racional, entre tudo que li até agora.
Países  cujo endividamento ocorreu em sua própria moeda podem se dar ao luxo do calote “implícito”, via inflação.  Não se enganem, juros reais negativos são a forma mais simples de calote!
Países que não tem moeda própria, tal como a Grécia, não têm a inflação como opção. O ajuste fiscal é um suicídio lento, a medida que, os cortes nos gastos reduzem também a atividade econômica e a arrecadação, mantendo a relação dívida/PIB em sentido crescente.  A única opção ao calote unilateral é o calote “multilateral”, isto é, os países credores concordarem com uma grande redução (hair cut) na dívida grega.   Esta opção, não parece estar na mesa, já que as condições políticas nos principais países europeus não é nada favorável a ela, basta se ver as importantes derrotas que os governos tem sofrido nas eleições em seus países.  Logo, sobrou o calote puro.
O problema é que o calote puro e simples implica na saída da Grécia do Euro. Coisa pouco banal. Como trocar todo o meio-circulante (em Euros) por Dracmas?  Ninguém vai querer. Quem pode manterá seus Euros embaixo do colchão ou em bancos de outros países da Zona Européia. Uma tentativa destas, da noite para o dia, provocaria uma gigantesca e instantânea recessão e uma desvalorização enorme da nova moeda (o que no longo prazo é a solução).  Mais, como o governo grego conseguiria imprimir discretamente “novos Dracmas” para fazer a conversão do meio circulante e os distribuiria entre os Bancos? 
Enfim, o que o artigo da CNBC sugere é que a Governo Grego, que em breve ficará sem dinheiro,  começará a pagar funcionários e fornecedores com IOU’s (promessas de pagamento) tal como adotou o Estado da Califórnia no auge da crise.   Estes IOU’s passariam a ser aceitos pelos bancos e comércio com grandes deságio e seriam uma proxy para o novo Dracma.  A partir daí, 2 coisas podem acontecer: 
- A população sentindo o destino doloroso que a “nova moeda” lhes trará, aceita a formação de um governo de coalizão e baixa a cabeça aos desígnios alemães, retomam o ajuste fiscal e recebem o dinheiro do socorro, protelando o calote, enquanto rezam para que o mundo volte a crescer e lhes possibilitem sair do burado;
- Os pagamentos e o volume de IOU´s crescem na economia, expulsando (tal qual previsto na Lei de Gresham “a moeda má, expulsa a boa”) abrindo o caminho para a “Dracmização”.

Um comentário:

  1. É isto mesmo. Muito boa sua exposição sobre a crise na Gréca.

    Gostaria que você comenta-se sobre o médio investidor, para onde eles devem migrar devido as medidas do governo. Onde é melhor e mais rentaável aplcar!!!!!!
    Esdras

    ResponderExcluir