quarta-feira, 2 de maio de 2012

Reservas e Dívida: Alguns Cálculos Improváveis e Questionamentos Inconvenientes

Primeiramente, deixem-me esclarecer porque  “Cálculos Improváveis”.   Dei este título por uma única razão: se por ventura alguém que tenha acesso aos dados oficiais detalhados venha a questionar minhas contas, certamente, encontrará erros e facilmente os questionará, era, então necessário deixar claro que os cálculos são grosseiros.
Vale ao leitor a pergunta: se as contas estão erradas por qual razão deveria eu ler este texto? A razão é simples: embora os cálculos sejam imprecisos, eles fazem sentido porque dão uma dimensão dos custos da dívida externa e interna face ao volume de reservas.   As observações valem por dimensionarem (em ordem de grandeza) o custo financeiro da política de reservas.
Vamos a alguns dados retirados da Nota à Imprensa: Setor Externo divulgada pelo Banco Central  em 24/04/2012:  A dívida externa sobre o Setor público não financeiro em dezembro de 2011 era de US$ 77,3 bilhões.  Sobre a dívida externa do Setor Público não Financeiro foram pagos US$ 4,2 bilhões de juros, o que dá uma taxa aproximada de 5,4% a.a. .  Antes da crítica, vai o alerta: esta taxa foi obtida pela simples divisão do total de juros pagos em 2011 sobre o saldo em final do período, o cálculo correto deveria levar em consideração os saldos e juros pagos mês a mês. 
Vamos arredondar a conta e dizermos que o Setor Público paga ao redor de 5% de juros sobre sua dívida.
A taxa média das remunerações das reservas  foram ao redor de 1,94% em 2011.  Vamos arredondar, agora para cima, e dizermos que foi 2%.   Temos que, a diferença entre taxa de remuneração e custo é de aproximadamente 3% a.a., assim, 3% x a US$ 77 bi = US$ 2,3 bilhões.
Questionamento Inconveniente: Por que cargas d’água o Tesouro emitiu mais dívida externa tendo o Brasil o volume atual de reservas ?
Vale dizer que nas contas de juros, não somam-se os custos de emissão de dívida, entre os quais comissões e custos de Road-show (incluindo viagens ao exterior, etc..).
Por outro lado, podemos supor que o resto das reservas, compradas no mercado, são esterelizadas.  Isto é, para cada dólar que o BC compra, o tesouro emite o equivalente em dívida. Logo,  temos que o equivalente a  US$ 274 bi ou atualmente mais ou menos R$ 500 bi (com dólar a 1,82) custa a taxa média da dívida pública mobiliária federal, que para facilitar, vamos equipará-lo a Selic de 9%.  Então, o custo de 9% menos 2% (taxa de remuneração das reservas) = 7% x  R$ 500 bi = R$ 35 bi, dividindo por R$ 1,90 e somando o “prejuízo” das reservas obtidas através da dívida externa pública temos que o custo para o setor público das reservas é de aproximadamente  US$ 20 bi, ou mais ou menos 1/3 do déficit em transações correntes do país.
Estas contas um pouco esdrúxulas tem o intuito de levantar duas questões:
1ª) Até que ponto faz sentido acumular reservas ?
2ª) Faz algum sentido dados o volume atual de reservas, o diferencial de juros interno e externos, o prêmio de risco do Brasil o Tesouro fazer novas emissões ?
Quanto a segunda questão confesso que fico ainda mais confuso, já que algumas semanas antes da última emissão externa em R$ foram dadas declarações de que o governo pretendia recomprar parte da dívida.
Quem tiver respostas que me ajude a entender!!

Um comentário:

  1. Sidão. Mesmo os números não sendo exatos, só o raciocínio bastava. Realmente fica a pergunta: não teríamos um volume/valor já satisfatório em reservas?, afinal mantê-las tem custo. Ou esse volume/valor é fruto de expedientes, pela insegurança, na falta de planejamento estratégico de nossas necessidades. Afinal, corrigir nos momentos adequados não é impossível.

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