Além de mal humorado, estou
pessimista. Muito.
Quando um elemento de primeiro escalão
do governo alerta, com certa satisfação, que a “a luz no fim do túnel é trem
que vai nos atropelar”, estamos perdidos.
Para piorar a situação global, política e econômica, não permite desaforo. Na Europa, se não me engano, 11 governos já
caíram, como resultado da crise. Nos
EUA, Obama sofre com a alta rejeição. Angela
Merckel e seu partido têm perdido as eleições regionais...
A economia global está cambaleante e
faltam líderes capazes de sustentá-la.
As perspectivas são ruins, péssimas.
Um breve exercício de futurologia econômica nos leva a três
possibilidades principais: um crescimento econômico global menor que medíocre
por vários anos, para inflação, ou, para um pouco de cada. No caso do Brasil, ao contrário do que pensam
alguns, face a rápida deterioração das políticas econômicas a tendência é que
os efeitos sejam multiplicados.
Nestes cenários lúgubres a pergunta
que não cala é: onde ponho meu rico dinheirinho?
Os juros reais e nominais, não só no
Brasil, estão historicamente baixos. Assim,
aplicações em renda fixa não são as mais atrativas. No caso do Brasil, ainda restam NTN-B’s
(títulos públicos indexados ao IPCA) com
vencimentos longos (2045, por exemplo) que podem ser adquiridos via tesouro
direto, com rendimento ao redor de 4,20% a.a. mais a variação da inflação. Tirando-se os custos, o investidor receberá
ainda por volta de 3% de juros reais líquidos.
É, ainda, a melhor alternativa de preservação do capital a longo prazo,
principalmente para fins de aposentadoria.
Contudo, embora as NTN’s sejam
indicadas para o longo prazo, investir
todo o dinheiro nelas, dado que o cupom já caiu bastante, e o risco do Brasil
tende a crescer no médio prazo, não é prudente. Assim, acho que devem ser investido neste
títulos apenas recursos que a princípio não serão mexidos no longo prazo,
apenas com o intuito de preservação do valor, para o fim de aposentadoria. É o que eu faço.
Vários analistas, inclusive eu,
ficam tentados, após razoáveis quedas na Bolsa, a dizer que a Bolsa está
barata. Contudo, a piora paulatina dos
fundamentos, a despeito das flutuações de curto prazo, não tornam a bolsa muito atrativa. As sinalizações intervencionistas do governo,
tais como o congelamento de preço da gasolina, declarações de agências
governamentais de vão “acabar” com a correção de tarifas tornam várias ações pouco
atrativas. A propósito me irritam
analistas que propagam de maneira inescrupulosa o investimento em ações que pagam
dividendos, baseando-se principalmente nos rendimentos passados.
O investimento em empresas do setor
elétrico, apesar de ótimos dividendos, embutem riscos regulatórios
importantes. Algumas concessões vencem
nos próximos 5 anos. De outro lado, a
tentação governista de “tabelar” preços pode reduzir o potencial crescimento
das receitas. Logo, se no passado,
foram porto seguro, hoje as ações deste setor embutem grande risco.
De qualquer maneira, ainda que eu
seja reticente, por algum dinheiro na Bolsa é uma boa ideia. Três regras devem ser observadas:
1 1)
A
empresa tem de ser geradora de caixa e ter lucros consistentes nos últimos
anos;
2 2)
A
receita da empresa deve ser pouco dependente da intervenção governamental;
2 3)
Baixa
alavancagem financeira.
Como consequência destas regras,
deve se evitar empresas estatais e em fase pré-operacional. De preferência o investimento deve ser
distribuído nos próximos 3 meses, período em que grandes quedas podem
acontecer. Embora seja um chavão
imbecil, na maior parte das vezes, e eu mesmo o odeie, o investimento em ações
deve ser pensado no longo prazo, no
melhor estilo “Warren Buffet”.
Investimentos de curto prazo, podem
ser feitos tanto em pré, como em CDI. A
diferença de rentabilidade entre ambos não é importante. Uma boa dica, é aproveitar-se do FGC e
investir valores de até R$ 60.000,00 (O FGC garante depósitos de até R$ 70.000,
mas é aconselhável investir-se um pouco menos, para ter a garantia estendida para os rendimentos também) em bancos pequenos
que pagam taxas acima do CDI. Alguns
bancos chegam a oferecer LCI’s (letras
de crédito imobiliário) com rendimentos acima de 95% do CDI, e já que sobre
seus rendimentos não incidem IR, são
equivalentes a 115% do CDI.
Fundos de investimentos,
genericamente falando, devem ser evitados no momento atual. Primeiro, por que as taxas de administração para
pequenos investidores ainda continuam muito altas. Segundo, por que, dada as fortes quedas nas
taxas de juros no mercado, os ativos nas carteiras dos fundos estão bastante
valorizados, aumentando o risco de um ajuste de preços no curto prazo.
Cuidado especial deve ser tomado com investimentos em imóveis e fundos imobiliários. Em épocas de juros baixos, os aluguéis se tornam muito atraentes, mas os preços dos imóveis estão sujeitos a variações. Se meus piores pesadelos com a economia se tornarem realidade os preços dos imóveis cairão e a taxa de vacância aumentará. A propósito, não creio que haja bolha imobiliária no Brasil, mas desvalorizações - com ou sem bolhas - acontecem.
Dólar e
ouro, não são investimentos. São bons para especular. Portanto, deixem-nos para os especuladores.
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