Quebrando
Um País: Receita Básica (versão simplificada)
( ) Há uma bonança. O Governo aumenta seus gastos, a medida que a
economia cresce e a oferta de crédito é abundante. O setor privado e bancário se alavancam. Tudo está “como nunca antes”.
( ) Algum evento, geralmente externo, reduz o
crescimento da economia. O governo sai em socorro do setor privado, cujo
endividamento se torna crítico face ao menor crescimento econômico. Aumenta
gastos, dá subsídios. Adota medidas
protecionistas. Tudo continua “como
nunca antes”.
( )A atividade econômica não reage. O
governo aumenta os gastos, dá subsídios.
Adota medidas protecionistas.
( )A arrecadação para de crescer. Os gastos não. O desemprego cresce. A dívida cresce. O desemprego cresce. O
consumo estagna.
( )O governo adota medidas de incentivo ao
emprego, isto é, aumenta os gastos, dá subsídios. Adota medidas protecionistas.
( )A inadimplência cresce. Bancos começam a ter
problemas. O governo socorre. Aumenta os gastos, dá subsídios. Adota medidas protecionistas.
( )Enfim os gastos do governo atingem níveis
muito elevados. A dívida começa a crescer explosivamente, o custo da dívida
sobe.
( )A dívida se torna impagável.
A receita
acima exige anos de cocção. Em geral, quando começam a acontecer o
resultado final é pouco perceptível.
Tudo parece estar indo muito bem.
Ninguém reclama. Quando se
percebe é tarde demais.
A adição
dos ingredientes pode não ocorrer exatamente na ordem acima, já que “cada”
cozinheiro dá o seu toque pessoal. O
resultado do banquete, é uma elite mais gorda e uma população mais magra.
Se por
acaso, para algum hipotético país, você assinalou mais de 3 “ingredientes”
acima. Você pode imaginar qual será o
cozido. E tenha certeza, a sua participação no banquete, se limitará a lavar os
pratos depois!
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COZIDO À
GREGA
Este já
está pronto. Só falta servir. O setor privado já se fartou. As elites já levaram suas “quentinhas “ para os países vizinhos. Talvez, a única vantagem é que ao invés de
lavarem os pratos, eles serão somente quebrados e jogados no lixo.
Enfim,
ontem eu li, em uma matéria da CNBC, o mais provável caminho do ocaso
Grego. Pelo menos o que me pareceu mais
racional, entre tudo que li até agora.
Países cujo endividamento ocorreu em sua própria
moeda podem se dar ao luxo do calote “implícito”, via inflação. Não se enganem, juros reais negativos são a
forma mais simples de calote!
Países que
não tem moeda própria, tal como a Grécia, não têm a inflação como opção. O
ajuste fiscal é um suicídio lento, a medida que, os cortes nos gastos reduzem
também a atividade econômica e a arrecadação, mantendo a relação dívida/PIB em
sentido crescente. A única opção ao
calote unilateral é o calote “multilateral”, isto é, os países credores
concordarem com uma grande redução (hair cut) na dívida grega. Esta opção, não parece estar na mesa, já que
as condições políticas nos principais países europeus não é nada favorável a
ela, basta se ver as importantes derrotas que os governos tem sofrido nas
eleições em seus países. Logo, sobrou o
calote puro.
O problema
é que o calote puro e simples implica na saída da Grécia do Euro. Coisa pouco
banal. Como trocar todo o meio-circulante (em Euros) por Dracmas? Ninguém vai querer. Quem pode manterá seus
Euros embaixo do colchão ou em bancos de outros países da Zona Européia. Uma
tentativa destas, da noite para o dia, provocaria uma gigantesca e instantânea
recessão e uma desvalorização enorme da nova moeda (o que no longo prazo é a solução). Mais, como o governo grego conseguiria
imprimir discretamente “novos Dracmas” para fazer a conversão do meio
circulante e os distribuiria entre os Bancos?
Enfim, o
que o artigo da CNBC sugere é que a Governo Grego, que em breve ficará sem
dinheiro, começará a pagar funcionários
e fornecedores com IOU’s (promessas de pagamento) tal como adotou o Estado da
Califórnia no auge da crise. Estes IOU’s
passariam a ser aceitos pelos bancos e comércio com grandes deságio e seriam uma
proxy para o novo Dracma. A partir daí,
2 coisas podem acontecer:
- A população
sentindo o destino doloroso que a “nova moeda” lhes trará, aceita a formação de
um governo de coalizão e baixa a cabeça aos desígnios alemães, retomam o ajuste
fiscal e recebem o dinheiro do socorro, protelando o calote, enquanto rezam
para que o mundo volte a crescer e lhes possibilitem sair do burado;
- Os
pagamentos e o volume de IOU´s crescem na economia, expulsando (tal qual
previsto na Lei de Gresham “a moeda má, expulsa a boa”) abrindo o caminho para
a “Dracmização”.
É isto mesmo. Muito boa sua exposição sobre a crise na Gréca.
ResponderExcluirGostaria que você comenta-se sobre o médio investidor, para onde eles devem migrar devido as medidas do governo. Onde é melhor e mais rentaável aplcar!!!!!!
Esdras