Malditos banqueiros que comem criancinhas e bebem sangue !
Como sempre, fato que tem sido objeto recorrente deste blog, ressalto que condenar os outros é o caminho mais fácil para se esconder a ineficiência do Estado.
Os juros dos empréstimos são altos, sim ! Mas, parte disso, é culpa do próprio estado e suas instituições. Quando um banco faz um empréstimo, sobre o spread incide PIS e Cofins de 4,65%, o tomador do empréstimo ainda paga IOF sobre o valor total que tomou. Ainda na questão tributária, os Bancos pagam uma alíquota de 40% de IR + CSLL sobre seus lucros, enquanto as outras empresas tributadas pelo lucro real pagam 34%.
Finalmente há as questões institucionais e jurídicas: Quanto tempo um banco leva em média para executar uma garantia real ? Quantas vezes um banco nem mesmo consegue executar esta garantia? Enfim, a ineficiência do judiciário também entra na conta da taxa de juros dos empréstimos bancários. Sem me alongar na questão do spread bancário, que será tema de um futuro post, quero apenas registrar que banqueiros e governo tem alguma razão em seus argumentos.
Este longo prólogo serve de gancho para o tema de hoje, que é a consequência da queda de juros para os pequenos aplicadores. Um dos primeiros pontos que acho importantíssimo assinalar é que, atualmente, ao contrário do que aparece no debate, grande parcela dos lucros dos bancos não advém das "taxas de juros abusivas dos empréstimos" mas sim das taxas sobre serviços cobradas de correntistas e aplicadores. Estas receitas, no caso de um dos maiores bancos brasileiros, chegam a quase 30% do resultado da intermediação financeira, isto é, grosso modo, corresponde a 1/3 do receita líquida obtida na aplicação dos recursos do bancos.
Além das taxas explícitas, há ainda uma parte menos visível no resultado dos bancos, que é o lucro obtido através do custo de captação menor que a taxa Selic. Quero pontuar que sou favorável aos bancos terem lucro e que não acho errado qualquer tentativa dos banqueiros de buscarem a maximização dos resultados de suas empresas.
As observações acima são apenas constatações que nos levam aos produtos disponíveis ao pequeno aplicador, pois a medida que a taxa básica de juros cai se torna cada vez mais relevante a discussão da rentabilidade das aplicações populares. Na tabela a seguir, vemos a rentabilidade líquida que um investidor terá em 4 tipos distintos de aplicação, em face de alguns cenários para a taxa Selic e considerando 2 hipóteses para a nova remuneração da poupança.
A primeira coisa que fica evidente é que dificilmente a poupança terá uma remuneração acima de 70% da taxa Selic pois, caso contrário, a poupança inviabilizará as outras aplicações. A segunda observação é que, considerando a inflação ao redor de 5% a.a., quase todas as aplicações terão rendimento real líquido abaixo da inflação. Aparentemente, temos aí uma das razões pelas quais a "gritaria" contra os banqueiros tenha aumentado: seria uma cortina de fumaça para que o pequeno poupador não perceba que pode ter o seu dinheiro confiscado pelo mais vil dos impostos: a inflação ???
Voltando a questão dos resultados dos bancos, fundos com taxas de administração acima de 1% deixarão de ser competitivos, e as receitas com floating e parte do resultado construída pela captação abaixo da taxa básica serão diminuídas.
A questão do Tesouro Direto, que surgiu e cumpriu um papel importante na democratização do acesso ao mercado títulos públicos, tem ficado fora do debate. Acima na tabela, considerando apenas a taxa de custódia cobrada pela CBLC vemos que os rendimentos líquidos já se aproximam da "futura poupança" e perderá dos CDB's dos Bancos. Está mais do que na hora de rever esta taxa de custódia abusiva, cortando-a no mínimo pela metade.
Voltaremos ao assunto do spread bancário e da rentabilidade dos investimentos, nos próximos posts.
obs: os cálculos da rentabilidade líquida consideram o IR para aplicações de até 180 dias (alíquota de 22,50%)

É por aí. Todavia tem tantas que desconheçemos. Receitas e custos?!Sem dúvida um banco dar em um ano em torno de 20/25% de lucro sobre o PL, ou seja "ganham 20/25% da história do Banco em um ano!!!
ResponderExcluirBem, deixa pra lá!!
Marito Cobucci
Excelente!!! Concordo com a tese da "cortina de fumaça".... Depois de muito tempo estamos assistindo à redução da taxa real de juros sem que qualquer agente "contribua" para o debate assinalando os "riscos mortais" desse evento. Será que chegamos ao primeiro mundo das taxas reais de juros para aplicadores?
ResponderExcluirCaro Pedro, sabe que por principio também defendo taxas de juros reais de 1o mundo, perto de 1% a.a. Sonho com o dia que poderemos viver com juros civilizados. Entretanto, se de um lado os juros reais pagos pelo Brasil nos primeiros anos do Real eram acima do razoável, dadas as ineficiências estruturais juros reais de 1% no Brasil ainda não é razoável... veremos...
ResponderExcluirFala Sidão!
ResponderExcluirNão sabia que você tinha um blog! Vou começar a acompanhar. Queria que você escrevesse um post sobre a inflação, principalmente em 2013. Você acha que ela vai explodir ano que vem? Quais investimentos você acha legal daqui pra frente, visto a Selic que não pára de cair?
Abraços
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