Recentemente,
nos textos econômicos, na imprensa especializada e principalmente os condutores
da política econômica brasileira passaram a utilizar o termo “medidas
macroprudenciais”. E, eu, mal humorado que
sou, fico me perguntando: e daí?
O
que é ser prudente? Em tempos modernos, procuramos o significado na internet, no Wikicionário: “pru.den.te.
que tem ou usa de prudência · cauteloso na forma como procura antecipar ou
evitar perigos”. Será que o
governo tem sido prudente?
Façamos
uma breve pausa, para esclarecer uma coisa: o que estes economistas
pseudomodernos pregam como medidas macroprudenciais estão nos livros textos de
economia há muito, muito tempo. Ou seja,
apenas cunharam um termo bonito, bastante chic, para dizer que governos dispõem
de mais ferramentas de política econômica que apenas as taxas de juros e o
orçamento.
Voltemos
ao ponto. Ontem, o governo novamente anunciou
medidas de estímulo, voltadas principalmente ao setor automotivo. Isto me irrita. Meu estômago ferve!! Há apenas algum tempo, 2 bancos precisaram
ser socorridos com enormes rombos advindos do crédito (principalmente
consignado). Outros bancos receberam
ajuda do FGC (fundo garantidor de créditos).
Certo banco, que tem como sócio um banco estatal, apresentou enormes
prejuízos nos últimos trimestres advindos de sua carteira de crédito. A razão é simples: faltou prudência!
Faltou
prudência, faltaram medidas macroprudenciais.
Era papel das autoridades ter
restringido o crédito, principalmente de veículos e consignado para evitar o
excessivo endividamento das famílias e o consequente e posterior aumento da inadimplência
que agora ocorre. Claro é que o
crescimento teria sido menor, mas quem é prudente é avesso ao risco e se
previne. Melhor crescer menos e crescer
sempre.
O
que um governo prudente deveria fazer é maximizar o crescimento do país no
longo prazo, garantindo uma vida melhor para várias gerações, não apenas para o
empresário X ou Y.
A
falta de prudência fica evidente nas medidas tomadas ontem. Ser prudente exige planejamento, ser ativo e
não reativo. A impressão que temos é que
se definiu: quero dólar alto, juros baixos! Faça-se!!! E se
está fazendo. Só que... Ninguém pensou no país à longo prazo. Cadê a prudência? Um motorista prudente, planeja seu caminho,
dá seta antes de reduzir, olha nos retrovisores e aí sim vira. Um motorista que vira de repente, sem
sinalizar, sem olhar, derrubando ciclistas, atropelando pedestres e provocando
acidentes e depois chama a ambulância não é prudente!
Juros
baixos são bons para o país. Não há
dúvidas. Uma taxa de câmbio
supervalorizada é ruim para o país.
Também não há duvidas. Mas, aonde
está a prudência?
Quando
vejo medidas para beneficiar um setor, seja ele qual for, eu me
pergunto: por que este setor e não aquele outro?
Será que a montadora é melhor que a cervejaria? Quando falam da desoneração da folha de
pagamentos para alguns setores, o que eu vejo é mais confusão, mais
regras. E eu me pergunto, novamente, por que
desonerar a folha de pagamento do setor de tecnologia e não dos bancos? Eu respondo:
C.... !!!
O PAPEL DE UM GOVERNO NÃO É BENEFICIAR A ALGUÉM, É BENEFICIAR A TODOS
!!!!!
Em
resumo, ao invés de ações reativas, o governo deveria implantar uma agenda de
desoneração e de simplificação de regras tributárias, para todos. Ao invés de se dar “R$ 2,7 bi de subsídios
setoriais” melhor seria reduzir alíquotas de algumas contribuições e taxas
(para todos) até que sejam extintas.
Fazendo a reforma tributária aos poucos, melhorando a competitividade da
economia brasileira.
A
criação de benefícios setoriais, a edição de medidas e mais medidas de
incentivo nos levarão de volta a década de 1980. Os mais velhinhos, como eu,
sabem como era ruim!
Só
hoje na capa do Valor de hoje, afora o destaque para as medidas de ontem, temos duas
notícias que mostram para onde estamos indo. A primeira “MP 556 traz um
festival de isenções” cujo texto da chamada diz “ A MP, que já trazia várias
regras tributárias desconexas...”.
A segunda: “Protecionismo atinge até as batatas fritas” e no corpo do
texto a declaração de um executivo desolado: “Nunca tivemos um problema desses
com o Brasil”.
Se
a Caixa e o BNDES precisarão vender “ativos ruins” para uma nova empresa
estatal, para limpar seus balanços, é por falta de prudência! Se vários bancos recorrem ao FGC para ajudar
na sua sobrevivência, é por falta de prudência!
Medidas
macro ou microprudenciais são panaceias. É preciso ser prudente. Pensar o futuro. Governos são tentados a
viver o presente. Verdadeiros estadistas
pensam o futuro. Pensar o futuro, não é
construir estádios para a copa, é construir ferrovias, investir em geração de
energia, melhorar o ensino, tornar a justiça eficaz! O que tira a competitividade do Brasil não é
a taxa de juros, nem a taxa de câmbio, é o imediatismo, a corrupção, o ego de
alguns.
Quando
vejo ministros sorridentes anunciando medidas, vejo ego acima da
seriedade. Quando leio entrevistas, onde
dados do mercado financeiro são falseados(eg “a taxa de câmbio no brasil ando em linha com
as outras moedas nas últimas semanas”), o que vejo é um candidato
a extradição... Minha vontade é mandar todos à M...
Sidão. Seu mau humor se justifica. Todavia vc não dele levar a sério o varonil Brasil.
ResponderExcluir"""Ser prudente exige planejamento, ser ativo e não reativo. A impressão que temos é que se definiu: quero dólar alto, juros baixos! Faça-se!!! E se está fazendo. Só que... Ninguém pensou no país à longo prazo"""
O Luiz Carlos Mendonça de Barros, bem definiu do interesse por praia,samba e violão, que eu acrescentaria do paralelo 20 pra cima.
Eles, os "sábios" que nunca trabalharam e fazem do poder o aprendizado em Brasília governam por expediente. Planejamento???, vc tá querendo demais.
Deixe de acreditar, e viva melhor.
marito Cobucci