terça-feira, 22 de maio de 2012

Nem macro, nem micro: Cadê a Prudência?


                Recentemente, nos textos econômicos, na imprensa especializada e principalmente os condutores da política econômica brasileira passaram a utilizar o termo “medidas macroprudenciais”.  E, eu, mal humorado que sou, fico me perguntando:  e daí?

           O que é ser prudente?  Em tempos modernos, procuramos o significado na internet, no Wikicionário: “pru.den.te. que tem ou usa de prudência · cauteloso na forma como procura antecipar ou evitar perigos”.     Será que o governo tem sido prudente?

                Façamos uma breve pausa, para esclarecer uma coisa: o que estes economistas pseudomodernos pregam como medidas macroprudenciais estão nos livros textos de economia há muito, muito tempo.  Ou seja, apenas cunharam um termo bonito, bastante chic, para dizer que governos dispõem de mais ferramentas de política econômica que apenas as taxas de juros e o orçamento.

                Voltemos ao ponto.  Ontem, o governo novamente anunciou medidas de estímulo, voltadas principalmente ao setor automotivo.  Isto me irrita.  Meu estômago ferve!!  Há apenas algum tempo, 2 bancos precisaram ser socorridos com enormes rombos advindos do crédito (principalmente consignado).   Outros bancos receberam ajuda do FGC (fundo garantidor de créditos).     Certo banco, que tem como sócio um banco estatal, apresentou enormes prejuízos nos últimos trimestres advindos de sua carteira de crédito.   A razão é simples: faltou prudência!

                Faltou prudência, faltaram medidas macroprudenciais.   Era papel das autoridades ter restringido o crédito, principalmente de veículos e consignado para evitar o excessivo endividamento das famílias e o consequente e posterior aumento da inadimplência que agora ocorre.    Claro é que o crescimento teria sido menor, mas quem é prudente é avesso ao risco e se previne.  Melhor crescer menos e crescer sempre.

                O que um governo prudente deveria fazer é maximizar o crescimento do país no longo prazo, garantindo uma vida melhor para várias gerações, não apenas para o empresário X ou Y.

                A falta de prudência fica evidente nas medidas tomadas ontem.  Ser prudente exige planejamento, ser ativo e não reativo.  A impressão que temos é que se definiu: quero dólar alto, juros baixos! Faça-se!!!   E se está fazendo.  Só que...  Ninguém pensou no país à longo prazo.  Cadê a prudência?   Um motorista prudente, planeja seu caminho, dá seta antes de reduzir, olha nos retrovisores e aí sim vira.  Um motorista que vira de repente, sem sinalizar, sem olhar, derrubando ciclistas, atropelando pedestres e provocando acidentes e depois chama a ambulância não é prudente!

                Juros baixos são bons para o país.  Não há dúvidas.  Uma taxa de câmbio supervalorizada é ruim para o país.  Também não há duvidas.  Mas, aonde está a prudência?

                Quando vejo medidas para beneficiar um setor, seja ele qual for, eu me pergunto: por que este setor e não aquele outro?  Será que a montadora é melhor que a cervejaria?  Quando falam da desoneração da folha de pagamentos para alguns setores, o que eu vejo é mais confusão, mais regras.  E eu me pergunto, novamente, por que desonerar a folha de pagamento do setor de tecnologia e não dos bancos?     Eu respondo:

C.... !!!   O PAPEL DE UM GOVERNO NÃO É BENEFICIAR A ALGUÉM, É BENEFICIAR A TODOS !!!!!

                Em resumo, ao invés de ações reativas, o governo deveria implantar uma agenda de desoneração e de simplificação de regras tributárias, para todos.  Ao invés de se dar “R$ 2,7 bi de subsídios setoriais” melhor seria reduzir alíquotas de algumas contribuições e taxas (para todos) até que sejam extintas.  Fazendo a reforma tributária aos poucos, melhorando a competitividade da economia brasileira.

                A criação de benefícios setoriais, a edição de medidas e mais medidas de incentivo nos levarão de volta a década de 1980. Os mais velhinhos, como eu, sabem como era ruim! 

                Só hoje na capa do Valor de hoje, afora o destaque para as medidas de ontem, temos duas notícias que mostram para onde estamos indo. A primeira “MP 556 traz um festival de isenções” cujo texto da chamada diz “ A MP, que já trazia várias regras tributárias desconexas...”.  A segunda: “Protecionismo atinge até as batatas fritas” e no corpo do texto a declaração de um executivo desolado: “Nunca tivemos um problema desses com o Brasil”.

                Se a Caixa e o BNDES precisarão vender “ativos ruins” para uma nova empresa estatal, para limpar seus balanços, é por falta de prudência!   Se vários bancos recorrem ao FGC para ajudar na sua sobrevivência, é por falta de prudência!

                Medidas macro ou microprudenciais são panaceias. É preciso ser prudente.  Pensar o futuro. Governos são tentados a viver o presente.  Verdadeiros estadistas pensam o futuro.  Pensar o futuro, não é construir estádios para a copa, é construir ferrovias, investir em geração de energia, melhorar o ensino, tornar a justiça eficaz!   O que tira a competitividade do Brasil não é a taxa de juros, nem a taxa de câmbio, é o imediatismo, a corrupção, o ego de alguns.

                Quando vejo ministros sorridentes anunciando medidas, vejo ego acima da seriedade.  Quando leio entrevistas, onde dados do mercado financeiro são falseados(eg “a taxa de câmbio no brasil ando em linha com as outras moedas nas últimas semanas”), o que vejo é um candidato a extradição... Minha vontade é mandar todos à M...

Um comentário:

  1. Sidão. Seu mau humor se justifica. Todavia vc não dele levar a sério o varonil Brasil.
    """Ser prudente exige planejamento, ser ativo e não reativo. A impressão que temos é que se definiu: quero dólar alto, juros baixos! Faça-se!!! E se está fazendo. Só que... Ninguém pensou no país à longo prazo"""
    O Luiz Carlos Mendonça de Barros, bem definiu do interesse por praia,samba e violão, que eu acrescentaria do paralelo 20 pra cima.
    Eles, os "sábios" que nunca trabalharam e fazem do poder o aprendizado em Brasília governam por expediente. Planejamento???, vc tá querendo demais.
    Deixe de acreditar, e viva melhor.
    marito Cobucci

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