sexta-feira, 4 de maio de 2012

As Mentiras que os Governantes Podem Contar: Será que o BC está certo?


Desprezo os políticos.  Acho um nonsense a cassação de um senador por que ele mentiu. Se fosse eu o julgado parafrasearia Jesus:  “Aquele que nunca mentiu que vote sim”.  Eu seria cassado e mais uma mentira seria somada ao histórico de alguns senadores, mas, ao menos deixaria explícita a incoerência do processo político, onde mentir faz parte do jogo.
Meu desprezo por políticos  vem daí: cada político é um mentiroso em potencial.  Quantos partidos já não foram pegos com recursos “não contabilizados”, quantos projetos não foram aprovados por motivos diferentes daqueles declarados?   Lobbies existem.
O fato é que, embora deploráveis,  algumas mentiras são necessárias.  No limite, até o mais desonesto dos políticos têm a obrigação de se declarar inocente.  Imaginem, se, tal qual no filme “O Mentiroso”, todos os políticos saíssem a dizer a verdade: “De fato, temos recursos não contabilizados”, “Tenho dinheiro em Jersey”,  “Roubei , mas quem não rouba?”...  O resultado seria a banalização da corrupção, do malfeito, o fim do Estado de Direito (qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência).
Especificamente no caso dos condutores da política econômica a mentira é muitas vezes escusável e necessária.   Lembro-me de um Ministro da Fazenda que caiu após uma declaração, mais ou menos assim, “O que o bom a gente fala, o que é ruim a gente esconde”,  vazar para antenas parabólicas.  Em política a verdade derruba mais rápido que a mentira. 
Quando um governante sabe antecipadamente de uma catástrofe por vir,  ele deve  medir as consequências de se alertar a população sobre ela. Em certos casos, a reação ao alerta pode agravar ao invés de reduzir as perdas esperadas. Quando as perdas prováveis em consequência do alerta forem maiores  o governante deve mentir.  Cabe a ele, somente, tomar todas as medidas no sentido de minimizar as perdas futuras.
Nos últimos dias, tenho conversado com vários amigos e muitos deles, como eu, são muito críticos e veem elevados riscos na forma como a política monetária vem sendo conduzida.  Será que o BC está apostando alto numa possível recessão global, fortemente deflacionária, ou ele tem mais informações que nós, simples analistas de mercado?  
Ontem, conversando com um dos melhores economistas do mercado, ele colocou em nossa discussão a hipótese de que o COPOM poderia estar reduzindo os juros baseado em informações privilegiadas que eles teriam sobre a situação na Europa.  Embora esta hipótese seja possível, afinal o Tombini e outros diretores do BC tenham conversas diretas com o Draghi, o Bernanke, a Lagarde e outros importantes “policy makers”, é pouco provável.  Claro que eles tem mais informações sobre a situação da Europa que nós, meros analistas.  Não há dúvidas quanto a isso.  Mas, é pouco provável que estas informações adicionais sobre um assunto amplamente escrutinizado que lhes deem grau de certeza suficiente para que eles se adiantem na política econômica.   Seria uma aposta agressiva.
Outra hipótese, que vale uma mentira, é que a situação do sistema financeiro, vide resultados de alguns bancos, esteja pior do que o percebido pelo mercado.  Em minha opinião, esta hipótese é mais forte, já que sobre este assunto o BC tem indubitavelmente mais informação, além dos balanços, que qualquer player.   Para pensar.
 Em tempo, antes que me chamem de profeta do apocalipse, não acredito e não há no momento nenhum risco de algum banco quebrar,  apenas, é possível que o aperto no crédito, via ajuste de carteiras, seja mais intenso e que as medidas que o BC está tomando sejam apenas e suficientes para compensá-lo.
Podem haver outras hipóteses que eu não tenha pensado. Contudo, na hipóteses levantada por muitos de que o BC abandonou as “metas para a inflação” ou de que quem manda na política monetária é a Dilma, eu não acredito.  Se fossem verdadeiras estas hipóteses eu teria que ficar muito pessimista com o futuro econômico de nosso país.    Eu sofro de mau humor, mas sou um eterno otimista!
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Para relaxar lembrei-me de uma piada sobre o episódio de Jesus e a pecadora.
“Naquele dia, em que levaram a Jesus a adúltera, passava por lá um cidadão de origem desconhecia chamado Manuel, que ouvia atentamente a pregação do Mestre.   Perguntaram, então, a Jesus: “O que devemos fazer com esta pecadora?”  E Jesus respondeu: “Quem não tiver errado que atire a primeira pedra!”
Zuuuuuuuummmmmmmmm. Paft !!!!!      Uma pedra atingiu a mulher.
Jesus surpreso perguntou a Manuel: “Manuel, tu nunca erraste”
E Manuel respondeu :“Mestre, desta distância ?  Nunca !!

Um comentário:

  1. Delicadamente vc não indicou a onacionalidade do Manuel. Portugal tbm está em crise.
    Quanto as mentiras e despreso por políticos, com raríssimas exceções, tbm tenho. Pior que a mentira é o despreparo, não dos inertes, mas dos que se propoe a fazer do que não entendem, levados pelo Partido Político, ao caso o PT, ninho de despreparados,como mostra suas próprias histórias. Poucos trabalharam e nenhum mostrou qualquer sucesso, não sabem o que é assumir riscos pessoais-só sabem com dinheiro público-, em suma provam cada vez mais da ocorrência da Lei de Murph.
    Sidão, eles não tem nenhum programa,planejamento; absolutamente nada. Agem tão só por expedientes.
    Valeu seu comentário,
    Marito Cobucci

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