terça-feira, 18 de dezembro de 2012

MEIOS E FINS, EXISTE JUSTIÇA ACIMA DA LEI? Uma Breve Estória sobre a decadência de Saint of Paul Oco



Houve uma era em que Saint of Paul of Paul Oco foi governada por militares, que, na época da guerra polar (onde o polo norte capitalista se opunha ao polo sul comunista), tomaram o poder para livrar o país da corrupção e do risco dos comunistas.

            Estes militares tomaram conta de Saint of Paul Oco e detiveram o poder absoluto por quase duas décadas. Mas, uma oposição combativa sobreviveu apesar da belicosidade dos governos militares.  Esta oposição, que pregava a revolução como única forma de derrubada do poder militar acreditava que, pela liberdade do povo, qualquer coisa podia ser feita.  Roubar cofres, bancos e assassinar eram apenas um sacrifício menor de princípios em prol do bem maior.  Os fins justificam os meios.

            O problema é que o Governo Militar acreditava na mesma coisa, que os fins justificavam os meios.  Quem se fudeu foi o povo, que estava no meio !

            O tempo passou e a democracia voltou à Saint of Paul Oco.  O povo não entendeu direito aquilo, acostumados que estavam de tomar porrada, decidiu eleger um super herói, pescador de lambaris – como eram conhecidos alguns indivíduos que mamavam no setor público – que prometia com uma bala acabar com todos os problemas daquela terra que já submergia na lama...  Acreditaram que ele era o salvador. Mas, não era.   Saint of Paul Oco afundou ainda mais.

            O tempo passou, nada mudou.  Os políticos continuavam a se locupletar do poder em Saint of Paul Oco, alguns com alguma discrição, outros sem nenhuma.  Mas, enfim, parecia que a desarmonia, tão festejada, entre os poderes poderia mudar a estória de Saint of Paul Oco.  E embora, uma parte significativa da população e mesmo a justiça de Saint of Paul Oco ainda deixassem Netuno, o ex-rei com seu tridente de 9 pontas, incólume e gozando de boa reputação, parecia que iria haver punição a toda corrupção.  O povo, ao menos aqueles cansados da impunidade, comemorava e aplaudia seu novo ídolo, o chefe da Corte, sem perceber que Saint of Paul Oco continuava afundando em sua própria lama.

            O que acontecia é que o julgamento, embora com os resultados (FINS) esperados por aqueles que almejavam o fim da impunidade, seguia caminhos tortos (MEIOS) que no futuro iam desafiar a ordem naquelas terras.  E pelos meios confusos, alguns acusados ganhavam o direito de alegar que o julgamento foi político, derrubando a credibilidade da justiça.

            Alguns historiadores acreditam que a constituição de Saint of Paul Oco, conforme manuscritos encontrados no Afundamento Central, próximo ao local onde teria sido a sede do governo Pauloquense, dizia que:
“Art.51 Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
6.9 - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.
§ 21º - Nos casos do inciso 6.9 a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.’
Obs: qualquer semelhança com alguma outra constituição de algum outro país real é mera coincidência.
            Evidentemente que esta prerrogativa constitucional servia como uma blindagem aos não tão nobres parlamentares daquela terra distante e com paradeiro desconhecido. Os estudiosos das lendas de Saint Of Paul Oco acreditavam que tal dispositivo foi criado apenas com a intenção de proteger os políticos de uma possível volta ao poder dos militares. Vai saber...
            Enfim, aparentemente, a Corte de Saint of Paul Oco decidiu cassar o mandato dos supostos corruptos. Mas, o fez afrontando a constituição que devia defender.
            Infelizmente o Folclore de Saint of Paul Oco, nas décadas que precederam o seu desaparecimento, parece estar repleto de estórias de descasos com a Lei. Começando com o próprio desrespeito na confecção da constituição. Um dos documentos encontrados, supostamente escrito por um ex-membro da Corte Pauloquense e ex-membro da constituinte, um certo Lolquim, contava a estória de como um certo artigo da constituição foi incluído ou alterado sem que fosse votado, caracterizando um suposto vício na origem da carta magna, o que talvez fizesse justificar o desprezo que a corte parecia nutrir por ela.
            Dizem ainda, as Lendas de Saint of Paul Oco, que um dos últimos atos da desarmonia dos poderes, em Saint of Paul Oco, pouco tempo antes de seu completo desaparecimento, foi a expedição de um Mandato de Insegurança que determinava em que ordem as leis deveriam ser votadas no congresso de Pauloquense.
            Eu ainda continuo pesquisando mais sobre Saint of Paul Oco e ainda não achei os rumos que aquela lendária terra seguiu antes de seu afundamento total. Mas, tal qual nas novelas do mundo real, parece-me fácil prever os capítulos futuros. Neste caso, contudo, o final não será feliz!
            Os cidadãos de Saint of Paul Oco estavam certos em querer e em comemorar as punições e por isso deixaram de perceber detalhes do julgamento, tais como as poucas citações à jurisprudência, a tentativa de retroatividade de leis, as contas cujas bases mudavam mas os resultados permaneciam, as punições não previstas e a guerra de egos. Supostamente, este descaso com o trato da justiça,  pelos resíduos encontrados por paleontólogos, não melhoram a segurança, nem a vida dos cidadãos que viriam a se afogar no mar de merda.  O novo poder que surgia, continuava dando indulto de natal para milhares de bandidos que matavam cidadãos honestos ainda antes do ano novo, continuava deixando soltos assassinos e bandidos, que continuaram com mais direitos que o cidadão normal.
            Ainda bem que o Brasil não é Saint of Paul Oco!!!!

2 comentários:

  1. Não dá mesmo pra fazer qualquer analogia!kkkkk
    Abraço Sidney.

    ResponderExcluir
  2. Eu nao conheço a historia de Saint of Paul Oco, mas gostaria de saber se naquele pais as pessoas, profissionais que são pagos para exercer suas tarefas - previamente acordadas e descritas - recebem aplausos ou honra ao mérito por fazerem sua obrigação. Aki na nossa realidade as pessoas vibram por fazerem sua obrigação, e não por excederem as expectativas. Alguém, que é pago por julgar vira heroi porque julga direito, alguém que é pago para trabalhar, trabalha ao inves de ficar na internet, redes sociais etc, o médioo plantonista que receb pelo plantão recebe mais um bonus para estar presente em sua escala. Não sei não, isto acontecia também neste seu pais, e qual foi o final disto. O que me assusta é que fazer o bem agora ou melhor fazer o certo virou ato de heroismo e nao coisa corriqueira. O que me assusta é quem pratica o bem está sendo submetido a glorias e quem pratica o mal vira a vitima e inocente, coitadinhos, que dó meu Deus. Multem o cidadão que bate no filho para corrigi-lo, mas nao façam nada com o pai bebado que da bebida ao filho menor que agride a professora que fala palavrões - meu filho nao leva desaforo para casa. Que fim teremos? fim do mundo, meu bem, já começou faz muito tempo, e não é pelas forças da nossa mae natureza, somos nos nos matando lentamente, nos escondendo, nos refugiando dentro de condominios, dentro de nossas casas, dentro de nossas cascas, dentro de nossos valores. Batendo no peito e dizendo que fulano é o heroi, para que eu quero descer. Puxa a cordinha do onibus, por favor. Herois bah! sou muito mais marvel!
    FELIZ ANO NOVO, com mentalidades velhas.
    Vampire

    ResponderExcluir