Em “As Bases
da Política Econômica” afirmei que, embora ameaçados, os pilares da política
macroeconômica ainda sobreviviam. Ouvi
algumas críticas, bem vindas, por isso.
De fato, o
câmbio já não é mais “tão flutuante” e também o centro da meta de inflação não
é mais perseguido. E, principalmente, a
austeridade fiscal está ameaçada. Apesar
disto tudo eu argumentei que não há evidências de que a taxa de juros no Brasil
está fora de seus fundamentos e que a relação DIV/PIB está em patamar
confortável e com tendência de estabilização ou queda.
Meu texto
parecia uma defesa da atual política econômica. Mas, infelizmente, não fui
capaz de ressaltar os riscos e os aspectos da política econômica que põem em
xeque a capacidade de crescimento econômico brasileiro. Este post é um mea culpa! Ao focar o texto
anterior no “macroeconômico” deixei de
me aprofundar nas questões microeconômicas, que é, na minha opinião,
onde parecem residirem os “pecados” da
atual gestão.
Normalmente
associa-se a política fiscal tão somente à macroeconomia. Esta é apenas a face
mais conhecida e cujos resultados se fazem sentir mais rapidamente na atividade
econômica. Uma política fiscal contracionista
resulta em menos crescimento e, uma política fiscal expansionista, no curto
prazo, resulta em mais crescimento econômico.
Fácil assim!
O
lado microeconômico dos ajustes fiscais (contracionista ou expansionista) é
muitas vezes ignorado no debate já que suas consequências não são tão
percepitíveis. Em termos microeconômicos
se analisa não o resultado fiscal, mas sim como se chega a ele. O que importa é como os recursos são gastos
ou arrecadados e o ambiente institucional que garante o resultado. Assim, por exemplo, a Lei da
Responsabilidade Fiscal é um “aspecto microeconômico” do ajuste que se
implementou nas contas públicas.
Ao
garantir que estados e municípios deveriam ter “responsabilidade fiscal” e ao
limitar a capacidade de endividamento
deles, se sinalizou a “perpetuação” da austeridade fiscal. Esta garantia contrabalançou o aspecto
do ajuste contracionista no curto prazo
ao dar previsibilidade aos agentes, que viram o risco do “estado” diminuído,
tornando o ambiente mais propício ao investimento.
O
que vemos atualmente é a destruição pari passu desta Lei, à medida que demandas
para maior endividamento de estados e municípios tem sido parcialmente
atendidas.
A concessão de subsídios, ainda que
contrabalançada por aumento de arrecadação ou redução de gastos, gera
distorções alocativas na economia, tornando-a menos eficiente e mais
incerta. Hoje parece melhor investir em “montadoras
de automóveis” do que em empresas de refrigerantes, pois as primeiras recebem
subsídios as segundas tiveram ou terão impostos aumentados. Amanhã, quem sabe? Este tipo de incerteza gera desconfiança no
empreendedor que prefere adiar investimentos.
Falando
em “concessões”, temos o caso recente do setor elétrico. Independentemente das
razões, de concordar ou não com as medidas, o fato é que a medida –
microeconômica – gerou incerteza que pode vir a afastar empreendedores do setor
de geração de energia.
Ainda
do lado fiscal, temos os bancos públicos que tem recebido aportes para serem
capazes de exercerem o papel desejado pelas autoridades. Sem entrar no mérito
da questão, o problema é que a atuação dos bancos públicos que tem aumentado
significativamente à concessão de crédito gera um risco substancial à longo
prazo para a sustentabilidade fiscal.
As
políticas governamentais no âmbito microeconômico estão intimamente ligadas com
o efeito da “sinalização”. Em mais de
uma oportunidade defendi que uma das condições necessárias para o crescimento
econômico são as expectativas que, em grande parte, são criadas a partir de
aspectos microeconômicos. A adição de
incertezas reduz o crescimento econômico.
Para
mim, a discussão em torno do superávit primário, se ele é 1% do PIB maior ou
menor, é de pouco relevância a medida que a relação DIV/PIB tem comportamento
benigno e que, no contexto global, o Brasil apresenta um resultado fiscal
invejável. O problema reside nos riscos
que estão sendo criados para o futuro.
Na minha opinião, estamos voltando à década 80, após o milagre
econômico. A situação atual me faz
lembrar de um gráfico em que o Golbery, no livro Geopolítica do Brasil, colocava
a esquerda muito próxima da direita. Os
mais velhinhos, como eu, hão de se lembrar para onde o “ativismo estatal” levou
nossa economia!
Bom relembrar, relembrar é viver. Ninguém vive do passado. O passado só serve para que possamos analisá-lo e não repetir os mesmo erros. O que normalmente não acontece. Olhamos o passado e revivemos ele na sua plenitude, tudo de novo, incluindo os erros. Por que? porque não soubemos analisar o motivo do erro, tratamos o sintoma e não a causa, logo o problema resurge novamente. E como uma doença, a recaída é sempre pior MUITO pior, e cada vez mais fica mais dificil se curar. Temos que cortar pela raíz, estancar de vez o problema, sem dó, sem piedade. Vou aki fazer minhas suas palavras NO PAIN NO GAIN.
ResponderExcluirVampire!