Eu praticamente cresci no mercado
financeiro, onde trabalho há 20 e tantos anos.
Mesmo assim, continuo estudando e, cada vez mais, me convenço das
bobagens da academia. Óbvio que existem
ferramentas e teorias interessantes e práticas, mas muitas servem apenas para
conferir uma aura de magia às Finanças, transformando os praticantes de sucesso
em Magos.
Ontem, por exemplo, em uma aula de
Finanças, cujo objeto de discussão era a alocação de portfólios dos indivíduos dadas suas funções de utilidade. O professor
explicava o comportamento de certo tipo de investidor que decidia apenas a
parcela que investiria em renda fixa ou renda variável, mas que manteria a
composição da sua carteira de ações estáveis.
Sem mais delongas, um aluno decidiu debater se o investidor não decidia
apenas o risco e o retorno esperado da sua carteira de ações, e que portanto, a
composição desta carteira seria irrelevante, já que esta seria determinada por
um modelo de otimização de portfólios...
Para os não iniciados: a função de utilidade de um investidor determina
a escolha dos investimentos pelo indivíduo vis-à-vis o risco e o retorno de
cada ativo. Em geral, o dilema
apresentado a qualquer investidor é escolher entre maior retorno ou menor risco.
Assim, a escolha do investidor ocorrerá
de acordo com seu grau de aversão ao risco. A função utilidade do investidor
determina o quanto aquele investidor se dispõe a correr de risco em troca de
uma maior rentabilidade.
Evidentemente, cada pessoa ou investidor
tem suas preferências. . Um investidor
totalmente avesso ao risco, provavelmente investiria todos seus recursos na
caderneta de poupança, ao passo que um investidor com pouca aversão ao risco
investiria, possivelmente, a maior parte de seus recursos no mercado de ações. Estas “preferências” dependem de vários
fatores, mas principalmente da riqueza de cada indivíduo.
Enfim, a função de utilidade é um
constructo abstrato – já que nenhum indivíduo conhece exatamente qual a sua –
que serve apenas para modelar o comportamento dos investidores, a partir do
qual serão construídas algumas teorias financeiras.
Voltando ao debate em sala de aula: PQP, VSF ! Em meus 20 e lá vai cacetada anos no
mercado, eu não conheci nenhum investidor individual que efetivamente fizesse escolhas tão racionais. O próprio SHARPE (o principal expoente da
teoria de carteiras) confessou que ele não fizera isso para seus investimentos
e que simplesmente decidira por uma regra de bolso pondo x% em renda fixa e y%
em renda variável !! Tremenda discussão
inútil as 22:15hs de quarta-feira. Em
resumo, prefiro dormir a ouvir bobagem: levantei e fui pra casa.
Voltemos à obscuridade das
Finanças. Por incrível que pareça,
graças aos baixos custos da computação, os modelos e as teorias de finanças tem
evoluído e cada vez mais o pessoal de finanças acredita que são engenheiros
espaciais e que tudo se resolve com equações.
De outro lado, movidos pela necessidade da venda de ativos e de suas
criações, são necessários novos conceitos e teorias para justificarem-se preços
elevados para coisas que pouco valem.
Um relis exemplo é o
EBITDA. É uma coisa esdrúxula, propagada nos fins dos anos 90 para tentar
justificar a bolha do NASDAQ. Eu que
estudei contabilidade na FECAP com a imortal DNA Lydia, em 1985, tenho
dificuldade de entender quem calcula o valor de um negócio com base no EBITDA
(neste sentido estou bem acompanhado, Warren Buffet também acha este conceito
absurdo). Querem ver? EBITDA é uma sigla que quer dizer Earnings
Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortizations, em português, Lucro
antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortizações. Legal.
Eu abro uma empresa, invisto R$ 100 mil, tomo R$ 100 mil emprestados e
no final do ano vejo meu EBITDA, de R$ 10 mil e fico feliz, afinal não preciso
pagar os juros de meus empréstimos, nem o imposto e nem repor máquinas e
equipamentos...Se a empresa deu prejuízo é mero detalhe!
Para mim, se sou acionista o que
importa é o que sobra para mim: o LUCRO LÍQUIDO. Óbvio que o lucro contábil precisa sofrer
ajustes, já que regras fiscais e “GAAP’s” ou princípios contábeis legais as
vezes mascaram parte da realidade. Mas,
certamente, o EBITDA não melhora nada.
Outra bobagem, comum, esta, não dos
financistas acadêmicos mas, dos praticantes de mercado é a falácia dos
dividendos. Esta me mata de rir... Hoje em dia, está na moda. Já te ofereceram um Fundo de ações que
investe em ações que pagam dividendos elevados? Você já leu algum artigo nos
últimos 30 dias de analistas recomendando ações que pagam dividendos? Você já viu gráficos de como as ações que
pagam dividendos tem um desempenho bem melhor que a bolsa. Então, tudo bobagem. O quanto uma empresa paga de dividendos é irrelevante
para a determinação do seu valor.
Acreditem em mim.
Não vou desenvolver a ideia, posto
que este texto já está muito longo. Aos amigos que queiram explicações: me
peçam diretamente ou deixem comentários que eu explicarei e responderei.
Para terminar, uma das conclusões a
que sempre volto é que em termos de finanças é melhor ler textos antigos que
novos. Para mim, são três os papas das
finanças: Ben Graham, Modigliani e Miller(todos eles escreveram seus principais
textos muito antes da década de 80). Em
termos de otimização de portfólios Sharpe, merece ser lido. E conselho sobre
finanças só tenho um: “Seja Simples”!
Sidonius Tá legal.Todavia além dos indicados, eu poria uns brazucas: o sempre Delfim e o Luis Carlos mendonça de Barros que, além de conheçer economia, afinal ninguém é Eng de Produção pela Poli e PhD conheçe o mercado nas práticas e iniciou com ele no InvestBanco do saudoso Roberto campos, e tem sucesso até hoje, ora, com a Quest.
ResponderExcluirTem ainda mais dois jovens: Pedro Paulo da Silveira de uma corretora chamada TOV e Andre Perfeito da Gradual Investimentos. Esses, como o LC, tem conhecimento do mercado. Quanto a teóricos tem uns milhares dando palpite, inclusive o Ministro Mantega.
Muito bom lembrar sempre de algum "brazuca" sempre bom.
Excluirparabéns.
Vampire
Caro Salínico Mestre, muito pertinentes seus comentários.
ResponderExcluirCompanheiro, muito bom. Lembrar que nem tudo que se aprende em sala presta ou é possível ser aplicado ipisi litteris, então por que insistem em colocar em seus extensos curriculos escolares? Por que insistem em colocar isto goela abaixo dos marrecos sedentos de saber, de argumentação?
ResponderExcluirO problema maior que a demanda por estas formulas mágicas: como enriquecer, como juntar um milhão como ganhar dinheiro na bolsa, como escolher a melhor ação. Me dê o caminho das pedras, sempre.Axiomas, não teorias prontas, fórmulas magicas.
Infelizmente não dá para mensurar tudo e pensar com logicas se tratando de pessoas, individuos movidos basicamente pela emoção. Vide o que ocorreu com o dólar em plena crise de 2008, em plena crise americana, algo totalmente irracional, sem lógica.
Opinião minha, rele mortal, dos poucos anos de mercado.
Vampire.
Muito bom Sidão!
ResponderExcluirAbraço Cazé.
Sidones my Master Mestre.
ResponderExcluirVc nao acha essa avaliaçao EBITADA, importante para avaliaçao dos poucos q ganham $$$ no mercado financeiro e continuam na moda: Private equit e capital venture?
EBITADA na minha modesta maneira de entender means geraçao de caixa.
Com tanta liquidez e dinheiro sem ter onde alocar, uma boa geraçao de caixa , ebitada alta, nao seria um otimo parametro para eles investirem,limparem principalmente o "Interest taxes" continuar com a boa geraçao de caixa , recuperar um projeto e fazer um bom investimento? Depreciaçao e amortizaçao acho que nao muda no negocio, sendo a empresa saudavel ou nao!
Obs: Meu comentario é uma duvida , e nao contestar suas sabias colocaçoes!
Grande braço
Joao Forbes
Outra duvida " EBITADA" relendo seu post.
ResponderExcluirInterest taxes e interest rates,
Impostos e jurs do K de giro?